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Quando as fotografias me abraçam

Sempre que um álbum de fotos impressas me chama, sei que vou cair em um mar de nostalgia e saudade.

Fotografia sempre foi algo comum em casa e já comentei nas redes sociais o quanto isso é um privilégio para quem nasceu nos anos oitenta, ou antes ainda. Meu irmão é do final dos anos setenta e tem fotos de bebê. Um dia minha mãe contou que uma das coisas que comprou com o primeiro salário, do concurso que passou, foi uma câmera fotográfica. Isso no começo dos anos setenta. Então, tenho fotos dela combinando a cor da calça com a cor de um carro.

Guardar essas memórias impressas é bastante importante para mim, é como caminhar em uma trilha que você conhece muito bem, mas ainda se surpreende com a beleza que encontra no trajeto.

Existem fotos minhas com praticamente todas as idades. Em 2003 (ou 2004?), ganhei a primeira câmera digital, uma Genius. Apesar da qualidade duvidosa, aquela coisinha fazia milagre e o Fotolog virou meu novo álbum de fotos. Dessa época não tenho nenhuma impressa e bateu a vontade de montar um álbum para poder folhear nos domingos chuvosos. Depois dela vieram outras compactas, que ainda guardo junto com a Genius. Nenhuma guerreira é abandonada no caminho.


Quando mudei para Curitiba, fiz um curso profissionalizante de fotografia e ganhei uma Nikon D90, DSRL, que tenho e uso até hoje. Por um tempo me dediquei às fotografias experimentais e participei de salões de arte com elas, porém não era um projeto barato de manter e acabei deixando em vigésimo plano. Os quadros que fiz dessa época me lembram disso todos os dias. Fotografar dança também mexia com esse coraçãozinho fotográfico. Hoje uma Instax Mini 40 é a nova integrante da família.


A nova era das fotos impressas veio com o nascimento do meu sobrinho e da minha sobrinha e lá fui montar mais álbuns. A sensação de colocar uma foto dentro do plástico é familiar e traz um conforto que eu não sei explicar em palavras, sinto que estou conectando pontos de uma história. Porém, eles cresceram e novamente pensei que já não tenho fotos deles impressas depois dos cinco anos. E lá vou eu pesquisar para comprar álbuns e revelação.


Voltando para as memórias, vejo minhas fotos de adolescente e talvez eu devesse sentir vergonha de quem era, como muitos sentem. Mas, olha só, não sinto. Mesmo as fotos mais esquisitas, com ângulos estranhos ou propositalmente dramáticas, aquela jovem é parte de mim. Já não sou como antes, eu sei. As areias do tempo passam e começamos a construir castelinhos diferentes, nos adaptando, aprendendo, enquanto as ondas os colocam para baixo com frequência. Eu vejo aquela garota e gosto de muitas coisas que lembro dela. Na verdade, eu sinto muita falta de boa parte. Olhar as fotos me faz lembrar dos seus sonhos, suas esperanças e medos. Eu queria poder dizer para ela que conquistamos tudo, mas não posso. Posso apenas dizer que ainda estamos no jogo.


Cada vez mais temos menos espaço para guardar nossas coisas nesse mundo onde tudo fica mais caro para viver. Mas, sempre vou levar comigo esses álbuns. São tesouros de uma vida e posso ouvi-los sussurrar que ainda tenho muito o que fotografar, guardar e relembrar.

1 comentário


Tabita Maier
Tabita Maier
22 de jan. de 2023

Você é a filha que a minha mãe pediu a Deus, Denise hahaha Ela há tempos reclama por não ter mais albuns de fotos - desde quando as câmeras digitais tomaram os nossos corações e infiltraram os nossos HDs - e tem tempo que ela pede para alguém selecioná-las e revelá-las. Coitada da minha mãe.

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