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Onde suas ideias moram?

Atualizado: 12 de jan. de 2023

Talvez você só precise descobrir o endereço certo para que elas possam te convidar para um chá em um dia qualquer.

As ideias são seres que passeiam por muitos lugares diferentes. Mas onde as suas moram? As minhas tenho a certeza que vivem na água, principalmente embaixo do chuveiro. É ali, com a cabeça cheia de shampoo, que ouço elas conversando e fazendo cenas pularem na minha cabeça. E se tem música tocando parece que despertam prontas para uma festa.

Você vai perceber que cada ideia tem um gingado diferente, algumas chegam quietinhas e sussurram, outras são mais intensas e exigem sua atenção imediatamente.

Enquanto lavo a louça a comunidade de ideias também tendem a fofocar e acabo ouvindo tim-tim por tim-tim. Meu problema não é ouvi-las, é levar a fofoca para frente. Eu não sei com você, mas por muitos anos sofri com um bloqueio criativo de ação. As ideias estavam ali falando comigo, mas meu corpo parecia se recusar a sentar a bunda na cadeira, abrir o Libre Office e escrever. Trauma? Preguiça? Medo? Talvez um pouco de tudo.


Ideias + Música: mais que amigas, friends


Todos os dias eu estava ali onde as ideias moram, ouvindo as histórias divertidas e que me empolgavam, mas era me secar para deixá-las em um limbo esperando minha boa vontade. Então, em uma sexta-feira a noite (onze de novembro de dois patinhos na lagoa), estava tomando banho e ouvindo What Makes You Sad, da Nicotine Dolls, e uma delas acordou. Ela não murmurou. Ela gritou no meu ouvido. Não foi delicada, não foi discreta, foi um berro. Pela primeira vez em muito tempo, saí e anotei a ideia principal no meu grupo forever alone do WhatsApp, o que mantenho eu comigo mesma.


Fui cozinhar e quando a música tocou novamente, lá veio a bendita berrar. Tem ideias que são assim mesmo, espalhafatosas. Jantei, organizei o que precisava para ir dormir, porém… parei no corredor e olhei para o escritório. Eu sabia que se não sentasse naquela cadeira, ligasse o computador e escrevesse pelo menos uma linha, aquela ideia tão empolgante iria para o limbo viver umas férias frustradas com as outras. Respirei fundo, tomei um gole de coragem e acendi a luz do escritório. Ok, eu só precisava de uma linha. Uma só.


Bom, uma linha se transformou em sete páginas naquela noite. Eu tinha quatro dias de folga, por causa do feriado no dia quinze de novembro, e escrevi como se não houvesse amanhã. A ideia pipocava na panela quente da minha cabeça. Nos quatro dias tinha cerca de trinta e cinco páginas escritas, personagens que se apresentavam e que eu acolhia com muito carinho. Foram semanas incríveis em um mundo esquecido dentro de mim. Escrevi livremente, sem me preocupar demais, conforme as novas ideias daquela história se apresentavam, corrigia os buracos e seguia em frente. Finalizei a segunda versão ainda em 2022 e iniciei a segunda parte, não estava preparada para dizer adeus tão cedo.


Ainda entro embaixo do chuveiro ouvindo música e as ideias fofoqueiras continuam me contando novas histórias, dessa vez eu ouço com mais atenção e com um quentinho no coração por confiarem em mim. Já anotei outras para não esquecer, porque agora quero alimentar a criatividade que deixei tão de lado pelos anos. Enquanto lavam minhas incertezas e o medo do julgamento, as ideias dançam na água ao meu redor ao som de muitas playlists. E amo que agora somos amigas.

1 comentário


Tabita Maier
Tabita Maier
22 de jan. de 2023

Ah te ver postar as tuas ideias tá fazendo as minhas se coçarem aqui dentro! 😍 Continua, não para!!

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